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2.2.21

Bebê nasce com 3 braços, metade do coração e passa por 5 cirurgias nos primeiros meses de vida

 Com cinco meses completados, o bebê enfrenta uma série de cirurgias corretivas mas, segundo médicos, os prognósticos são difíceis.

Um bebê nasceu em Praia Grande, no litoral de São Paulo, com um braço extra e metade do coração, além de outros problemas clínicos. A situação da criança, que acaba de completar cinco meses, surpreendeu os pais, já que não foi indicada no acompanhamento pré-natal. O pequeno César, agora, enfrenta uma série de cirurgias corretivas mas, segundo médicos, os prognósticos são difíceis.

Em entrevista ao G1 nesta terça-feira (2), Michelle Aparecida Pereira Fondos, de 38 anos, mãe do pequeno Cesinha, como é chamado, contou que, desde agosto, quando nasceu, o bebê já passou por cinco cirurgias, para corrigir problemas na coluna, no coração e no diafragma. Um financiamento coletivo foi aberto para garantir insumos básicos para o tratamento da criança.

O bebê nasceu com um braço extra, que tem duas mãos, metade do coração e outras deformidades, como o lado esquerdo diferente do lado direito de seu corpo. O braço extra, apesar de ter sistema nervoso e ossos, é imóvel.

A principal suspeita da equipe médica, segundo a mãe, é que Cesar seja resultado de gêmeos siameses, e que o organismo de um combateu o outro, sobrando apenas alguns membros. No entanto, essa hipótese só poderá ser confirmada ou descartada com o resultado de um exame genético, que ainda será feito.

Além disso, ele tem a Síndrome da Hipoplasia do Coração Esquerdo. Cesar ficou por cinco meses internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da Beneficência Portuguesa de São Paulo, até o último dia 20 de janeiro, quando conseguiu ir para casa com os pais e os irmãos, de 8 e 14 anos.

Entretanto, ainda fará acompanhamento médico para verificar, também, a possibilidade da retirada do membro extra. Os pais buscam realizar a remoção por meio do Sistema Único de Saúde (SUS), entre os 6 meses e 1 ano de Cesinha.

'Quanto tempo de vida, doutor?'

"A primeira pergunta que eu faço aos médicos é quanto tempo de vida ele tem. Mas, ninguém sabe ou pode me responder", desabafa Michelle. Para os pais, a situação de Cesar foi uma surpresa, pois não foi identificada nenhuma condição diferente no bebê durante o pré-natal.

No parto, o pai de Cesinha foi o primeiro a perceber que tinha algo errado. "Meu marido olhou para mim e disse: 'tem alguma coisa pendurada no bebê'", relembra. "Achei que fosse o cordão umbilical, mas era o bracinho dele. Foi uma correria com a equipe médica, que com os exames descobriu toda a má formação dentro dele".

Cesar é introspectivo, segundo a mãe conta. "Não gosta de pessoas estranhas e chora. Ele passou por muita coisa, todo mundo que mexia nele era para injeção, soro, cirurgia. Então, ele é quietinho", diz.

Coração pela metade

O termo que a medicina usa é hipoplasia, quando uma parte do coração não se desenvolveu completamente, explica Beatriz Furlanetto, cirurgiã cardíaca pediátrica que atendeu ao bebê na Beneficência Portuguesa de São Paulo. Ela explica que, no caso de Cesar, a válvula direita do coração é fechada, interrompendo a comunicação entre os dois lados.

Assim, a circulação do sangue dele acontecia de forma totalmente anormal, utilizando outros caminhos e necessitando de cirurgia para correção. "Essa cardiopatia é muito grave, e a cirurgia é bastante delicada", explica. Cesar já fez três cirurgias no coração para a correção do problema e, em breve, fará outra.

Pedido de doações

Sem o auxílio de convênio médico, devido ao período mínimo de carência de dois anos, a família tenta conseguir acompanhamento, as cirurgias e os remédios pela rede pública de saúde. Mesmo assim, vem encontrando dificuldades para receber os remédios necessários ao bebê, além do custo de outras despesas com o tratamento em casa.

Por conta disso, a família abriu uma arrecadação online para conseguir pagar os remédios e, também, pomadas, soros, leites, vitaminas, seringas de insulina e fraldas que Cesinha tanto precisa. Parte do dinheiro arrecadado ela pretende doar às mães que acompanham bebês na ala de UTI pediátrica do hospital onde Cesar ficou internado. "É uma forma que eu achei de agradecer a Deus por tudo que vivemos e ganhamos de bom em nossas vidas", disse.

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