Sancel
17.11.20

''Se não há teste, não há doença'': chefe de fiscalização do CRM-PB diz que há subnotificação da covid-19 em João Pessoa

 João Alberto Pessoa prepara denúncia sobre a escassez de testes de covid-19 em João Pessoa.

A subnotificação faz parecer que os casos de covid-19 em João Pessoa estão diminuindo, mas os números que vem sendo apresentados nos boletins diários não correspondem à realidade. É o que aponta o chefe de fiscalização do Conselho Regional de Medicina da Paraíba (CRM-PB), João Alberto Pessoa, que concedeu entrevista ao ClickPB nesta terça-feira (17).

Equipes do CRM-PB visitaram hospitais e Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) da Capital na última semana e constataram que grande parte deles está lotada. A UTI do Hospital Universitário Lauro Wanderley está com 100% de ocupação; Complexo Hospitalar Clementino Fraga com 80%; Hospital da Unimed com 80%; Hospital Metropolitano com 70%. Apenas no Hospital Santa Isabel, a UTI estava com 23% de ocupação. Os boletins que têm sido divulgados, no entanto, mostram os números da covid-19 diminuindo na Capital. 

De acordo com João Alberto, a contradição pode ser explicada pela falta de testes para a doença. ''Os pacientes estão chegando nas UPAs com sintomas de covid-19 e quando são sintomas leves, eles são mandados de volta para casa e não é feito teste. Só fazem teste para casos graves, que precisam de internação'', afirmou.

Segundo ele, quando o paciente insiste muito para fazer o teste ele é encaminhado para o Programa de Saúde da Família. Lá o teste é agendado para uma semana depois e o resultado sai em cerca de quatro dias. ''Então a pessoa só vai saber esse resultado depois de 11 dias, que é o tempo que a pessoa ou já morreu, ou precisou ser internada, ou já entrou em processo de cura'', comentou. 

Ele comparou, inclusive, a lotação entre hospitais públicos e privados. ''Os hospitais privados estão lotados enquanto tem hospital público vazio'', disse. Para ele, isso ocorre porque os pacientes que possuem plano de saúde têm acesso aos testes e internação, mas os que usam a rede pública não estão sendo testados.

João Alberto também que mesmo os pacientes que ficam internados na rede pública muitas vezes não são testados e chegam a ficar misturados com os outros. O problema da falta de separação também é preocupante nas UPAs, já que não mais um atendimento separado para os casos de suspeita de covid-19. ''Se a pessoa chega com covid-19 é atendida no mesmo local dos outros pacientes, pelo mesmo médico, entra pela mesma porta. É muito preocupante''.

Ele destacou o caso de um paciente com apendicite que, após três dias de espera pelo resultado do teste de covid-19, teve uma perfuração do intestino. O teste foi exigido para que ele pudesse fazer a cirurgia, mas devido à demora, a situação se agravou.

O chefe de fiscalização do CRM-PB afirmou que está reunindo todas as informações coletadas para apresentar uma denúncia ao Ministério Público. Segundo ele, Campina Grande tem apresentado um controle melhor da doença do que João Pessoa. ''As pessoas acham que os casos estão diminuindo, mas se não há teste não há doença''.

Por ClickPB

  • Comentar com o Gmail
  • Comentar com o Facebook

0 comentários:

Postar um comentário

Item Reviewed: ''Se não há teste, não há doença'': chefe de fiscalização do CRM-PB diz que há subnotificação da covid-19 em João Pessoa Rating: 5 Reviewed By: Informativo em Foco