Sancel
27.10.20

Policiais atiram e matam homem negro na Filadélfia, e cidade se torna palco de novos atos antirracismo

O vídeo mostra Walter Wallace Jr., 27, caminhando por uma rua sob a mira de dois policiais.

BAURU, SP (FOLHAPRESS) — A cidade da Filadélfia, na Pensilvânia, tornou-se palco de novos protestos contra o racismo e a violência policial na noite desta segunda-feira (26), depois que dois policiais atiraram e mataram um homem negro em uma ação filmada e compartilhada nas redes sociais.

O vídeo mostra Walter Wallace Jr., 27, caminhando por uma rua sob a mira de dois policiais. Não é possível ver nas imagens, mas os relatos indicam que Wallace portava uma faca e, no vídeo, os policiais gritam para que ele a solte. Uma mulher, que também aparece no registro e foi identificada como a mãe de Wallace, grita para que os policiais não atirem.

Em dado momento, entretanto, com Wallace a poucos metros de distância, os dois policiais disparam pelo menos dez vezes e o homem cai ao chão, sob gritos da mãe e de outras testemunhas. Mais tarde, ele foi declarado morto em um hospital.

De acordo com familiares, Wallace tinha um histórico de problemas de saúde mental e estava no meio de uma crise durante a abordagem que resultou em sua morte.

O advogado de direitos civis Benjamin Crump, que atuou na defesa das famílias de George Floyd e Breonna Taylor, compartilhou o vídeo nas redes sociais.

"Policiais da Filadélfia atiraram para matar Walter Wallace Jr., disparando mais de dez vezes contra ele enquanto ele estava a pelo menos três metros de distância", escreveu Crump.

 "Ele supostamente tinha uma faca, mas os policiais não fizeram tentativas de amenizar a situação neste vídeo. Eles foram direto para matar Wallace na frente de seus entes queridos!"

Em um comunicado, o prefeito da Filadélfia, Jim Kenney, disse que a morte de Wallace está sob investigação. "Assisti ao vídeo desse trágico incidente e ele apresenta perguntas difíceis que devem ser respondidas. Espero uma resolução rápida e transparente", disse Kenney.

A comissária de polícia local, Danielle Outlaw, também divulgou comunicado em que garante uma investigação detalhada.

"Enquanto estava no local esta noite, ouvi e senti a raiva da comunidade. Todos os envolvidos serão impactados para sempre. Estarei me apoiando no que a investigação reunirá para responder às muitas perguntas sem resposta que existem", disse Outlaw.

Durante a noite desta segunda, centenas de manifestantes se reuniram em frente ao departamento de polícia da Filadélfia. Houve confrontos com agentes de segurança e pelo menos trinta policiais foram feridos por tijolos arremessados pelos manifestantes. Um dos agentes quebrou a perna depois de ser atropelado por uma caminhonete e permanece hospitalizado, segundo a emissora NBC.

A polícia também registrou saques e destruição de lojas no centro da cidade. Os manifestantes incendiaram viaturas e lixeiras, e pelo menos 30 pessoas acabaram presas.

Os protestos desta segunda são os mais recentes episódios da série de atos antirracistas que se espalharam pelos EUA desde o assassinato de George Floyd, em maio. Floyd teve o pescoço pressionado contra o chão pelo joelho de um policial branco durante quase nove minutos e morreu asfixiado depois de dizer várias vezes que não conseguia respirar.

A ação foi gravada por testemunhas e viralizou nas redes sociais, dando início a atos condenando a violência policial e o racismo sistêmico dos EUA. Os protestos se espalharam em milhares de cidades e em diversos outros países e evidenciaram a gravidade das questões raciais no ano em que os americanos vão às urnas para escolher seu novo presidente – ou o mesmo, caso Donald Trump seja reeleito.

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