Sancel
25.1.19

10 questões sobre as doenças inflamatórias intestinais

Reconhecimento dos sintomas é essencial para retomada do bem-estar dos pacientes

As doenças inflamatórias intestinais (DII) prejudicam significativamente a vida de 78% dos pacientes. O dado é resultado da pesquisa Jornada do Paciente com DII, feita pela Associação Brasileira de Colite Ulcerativa e doença de Crohn (ABCD) com mais de 3 mil brasileiros portadores dessas condições. Reconhecer os sintomas para o diagnóstico e o início do tratamento adequado são essenciais para proporcionar o bem-estar dos pacientes.

Os sintomas das DII podem se confundir com os de outras enfermidades mais simples e, por isso, conhecer as características particulares e procurar avaliação médica é fundamental. A gastroenterologista e presidente da ABCD, Marta Machado, esclarece as principais dúvidas sobre o tema.
Confira na galeria abaixo.
A retocolite ulcerativa e a doença de Crohn são iguais? - Não. As duas principais enfermidades que compõem o grupo das DII são inflamatórias, crônicas, sem cura e podem ter diversos fatores como origem. Entretanto, são enfermidades distintas. A doença de Crohn pode acometer desde a boca ao ânus, atingindo todas as camadas do trato digestivo e, por isso, pode evoluir para perfuração e estreitamento no intestino. Já a retocolite ulcerativa é restrita ao reto e ao intestino grosso, com o acometimento restrito à mucosa.
O paciente com DII tem febre e dor como sintoma? - Sim. A dor abdominal está presente quando a doença está em atividade e o paciente pode ter quadros de febre. Além disso, os principais sinais das doenças são diarreia ou constipação, presença de sangue ou muco nas fezes e distensão abdominal.
É possível ocorrer perda de peso e queda de cabelo? - Sim. A pessoa com DII pode sofrer um emagrecimento excessivo e também queda de cabelo. Isso ocorre por questões secundárias como a desnutrição, a falta de vitaminas ou como efeito colateral de alguma medicação.
As DII apresentam sinais apenas no trato gastrointestinal? - Não. As enfermidades podem apresentar manifestações além do intestino como uveíte (inflamação no olho), artrite (inflamação das articulações), sacroileíte (inflamação na articulação do sacro, osso localizado na base da coluna vertebral), eritema nodoso (inflamação na pele), piodermite gangrenosa (feridas na pele), hidrosadenite supurativa (doença crônica de pele), hepatites, colangite (inflamação nos canais biliares), tromboses (coágulo no sangue), entre outras.
Existem sintomas que façam com que as DII possam ser confundidas com outras doenças? - Sim. Essas enfermidades podem ter inúmeras formas de apresentação com uma gama enorme de manifestações. Dessa forma, é essencial a realização correta e bem detalhada da história clínica do paciente e exame físico completo para o diagnóstico final.
O diagnóstico envolve diversas análises? - Sim. As doenças inflamatórias intestinais são diagnosticadas por história clínica completa, exames físicos e laboratoriais, incluindo estudos de imagem endoscópica e radiológica.
A síndrome do intestino irritável (SII) é uma Doença Inflamatória Intestinal (DII)? - Não. A SII não é considerada uma doença inflamatória intestinal, principalmente porque não causa inflamação no intestino. Trata-se de um transtorno funcional, uma vez que não há uma origem aparente para os sintomas, ao contrário das DIIs, que são enfermidades orgânicas. Além disso, muitos indivíduos com SII não apresentam quaisquer alterações em seus exames.
O tratamento das DII é sempre o mesmo? - Não. Existem diversas opções de terapias e a escolha do tratamento indicado para cada paciente depende da gravidade e da localização da doença após uma criteriosa avaliação médica. Entre as alternativas terapêuticas estão os aminossalicilatos, os corticoides, os imunomoduladores, os antibióticos e os medicamentos biológicos, sendo que, nesta última classe, há três mecanismos de ação diferentes – anti-TNF, anti-integrina e anti-interleucinas 12 e 23. Os tratamentos biológicos mais inovadores são capazes de aliviar os sintomas da doença de maneira rápida e manter a resposta por um período de tempo prolongado, sendo hoje mais indicados em quadros moderados e graves das DII, embora já se discuta a adoção mais precoce pelos benefícios que proporcionam.
O cuidado com a alimentação é suficiente para o tratamento das enfermidades? - Não. Em casos mais leves, a mudança dos hábitos alimentares pode ser suficiente, entretanto, essa situação é muito rara. Normalmente, é recomendado que o paciente evite os alimentos que piorem os sintomas das doenças. Além disso, em algumas fases, pode ser necessário diminuir o consumo de fibras e, em outras, de lactose. Um acompanhamento com nutricionistas é muito importante.
O estilo de vida está relacionado ao desenvolvimento de doenças inflamatórias intestinais? - Depende. Não há confirmações científicas sobre essa influência, porém é possível afirmar que estresse, uso abusivo de medicamentos desde a infância, consumo em excesso de alimentos industrializados, gordurosos e com agrotóxicos afetam o funcionamento do aparelho digestivo.

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