Sancel
17.12.18

João de Deus vai ficar em cela de 16 m² com outros três presos e só poderá receber visitas após 30 dias

Cela tem cama, pia e chuveiro e fica no Núcleo de Custódia do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia. Médium foi preso neste domingo suspeito de abuso sexual. Ele sempre negou as acusações.


João de Deus chega a delegacia em Goiânia após se entregar à polícia neste domingo (16) — Foto: REUTERS/Metropoles/Igo Estrela
O médium João de Deus, preso preventivamente em Goiás neste domingo (16) suspeito de abusos sexuais, vai ficar em uma cela de 16 m² com outros três presos, que são advogados. Fontes informaram ao G1 que ele só poderá receber visitas após 30 dias. Mais de 300 mulheres o denunciaram. A defesa dele sempre negou as acusações.
João de Deus, que tem 76 anos, se entregou à Polícia Civil em uma área rural de Abadiânia às 16h20. De lá, foi trazido a Goiânia, onde prestou depoimento na Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic). Pouco depois das 22h, foi para o Instituto Médico Legal para exame de corpo de delito.
O médium vai passar a noite no Núcleo de Custódia do Complexo Prisional de Aparecida de Goiânia. Lá, ele ficará em uma cela com cama, pia e chuveiro e terá direito a banho de sol.
Até o sábado, a polícia tinha feito buscas em mais de 30 endereços em busca do médium sem sucesso. Ele já era considerado foragido pelo Ministério Público.
Ocultação de patrimônio
O Ministério Público Estadual de Goiás (MP-GO) informou à TV Anhanguera, neste sábado (15), que João de Deus pode ter tentado ocultar patrimônio e que isso levou o órgão a acelerar o pedido de prisão do líder religioso. Ao órgão, mais de 330 mulheres denunciaram o médium por abuso.
Segundo o jornal “O Globo”, as investigações apontam que o líder religioso retirou R$ 35 milhões de contas e aplicações financeiras desde que as primeiras denúncias de abuso vieram à tona.
“A gente já tem informações de que há providências do investigado buscando ocultar patrimônio. Este fato está sendo apurado e todas as medidas cabíveis estão sendo tomadas pelo MP-GO”, disse a promotora Gabriella de Queiroz Clementino.
“Claro que esta notícia de ocultação e patrimônio reforça ainda mais os fundamentos da prisão”, afirmou.
Última visita à Casa
Na manhã de quarta-feira, o médium compareceu à Casa Dom Inácio de Loyola, onde realiza os trabalhos espirituais, pela primeira vez desde que as denúncias vieram à tona. Durante os poucos minutos que ficou no local, ele disse que era inocente e que confiava na Justiça de Deus e dos homens.
“Meus queridos irmãos e minhas queridas irmãs, agradeço a Deus por estar aqui. Ainda sou irmão de Deus, mas quero cumprir a lei brasileira porque estou na mão da lei brasileira. João de Deus ainda está vivo. A paz de Deus esteja convosco”, diz João de Deus.
A assessora de imprensa do religioso, Edna Gomes, afirmou, após as declarações, que o médium era inocente, mas que as denúncias eram graves e deveriam ser apuradas.
Denúncias
O jornal “O Globo”, a TV Globo e o G1 têm publicado nos últimos dias relatos de dezenas de mulheres que se sentiram abusadas sexualmente pelo médium. Não se trata de questionar os métodos de cura de João de Deus ou a fé de milhares de pessoas que o procuram.
A força-tarefa que investiga as denúncias contra João de Deus começou o trabalho de investigação na segunda-feira (10), depois que o programa Conversa com Bial divulgou o relato de 10 mulheres que disseram ter sido abusadas sexualmente pelo médium.
O Ministério Público Estadual de Goiás (MP-GO), que assim como a Polícia Civil, investiga a suspeita de crimes sexuais durante tratamentos feitos pelo religioso, havia contabilizado, até este domingo (16), mais de 300 denúncias contra o médium.
Para atender às mulheres que não moram em Goiás, o MP-GO preparou uma sala de videoconferência. Nela, ficam os cinco promotores de Goiás que participam da força-tarefa, duas psicólogas e dois tradutores de línguas estrangeiras.
“Temos casos fora do Brasil, por isso, temos a necessidade de acompanhamento para ajudar a gente a esclarecer todas essas situações”, afirma o procurador-geral do órgão, Benedito Torres.
G1
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