Sancel
21.11.18

Pai diz que negligência em hospital resultou na morte da filha de oito meses, em Campina Grande

Eduardo Lourenço da Silva, de 37 anos, aponta que houve um atendimento indevido à criança e que faltava um médico cardiologista e material básico no hospital para o socorro à filha dele.

Pai diz que negligência em hospital resultou na morte da filha de oito meses, em Campina Grande (Foto: Arquivo pessoal/Eduardo Lourenço)
Um pai e uma mãe registraram boletim de ocorrência, na segunda-feira (19), contra o Hospital da Criança e do Adolescente de Campina Grande por suposta negligência médica da unidade com a filha dele, de oito meses de vida. Maria Eduarda dos Santos Lourenço morreu e foi sepultada no domingo (18). Foi então que os pais da menina procuraram a Delegacia Especializada de Repressão aos Crimes Contra a Infância e a Juventude do município.
Eduardo Lourenço da Silva, de 37 anos, aponta que houve um atendimento indevido à criança e que faltava um médico cardiologista e material básico no hospital para o socorro à filha dele. O pai falou ao portal G1 que a bebê nasceu cardiopata e com a Síndrome de Edwards.
Ele levou Maria Eduarda ao Hospital da Criança e do Adolescente de Campina Grande, na manhã da sexta-feira (16), e foi informado por uma médica que não havia profissional cardiologista que pudesse atender ao caso. A mãe questionou para onde iriam com a paciente e, então, houve o atendimento por parte de outra médica. Ela solicitou exames que constataram uma gripe. Um médico passou a cuidar do caso e aplicou uma medicação para a bebê.
O pai relatou ainda que foi necessária a perfuração da cabeça da criança e que uma enfermeira congitou raspar o cabelo dela com uma lâmina já usada e que a mãe, Juciara dos Santos Rêgo Lourenço, de 32 anos, não permitiu, sugerindo um aparelho barbeador que ela tinha na bolsa.
O homem que registrou queixa contra a unidade disse que nem lençol havia no leito onde estava a menina e que um médico tentou a transferência da paciente para outros hospitais, mas não conseguiu. Foi inserido um cateter na madrugada do sábado (17) e a criança sofreu uma parada respiratória. A equipe tentou reanimá-la, mas Maria Eduarda morreu às 2h05.
Consta na certidão de óbito que a bebê morreu de “insuficiência respiratória e bronquite aguda”. Há o relato também de que ela “precisava de sangue e não foi feita a transfusão” e o casal teria pedido a transferência da criança para a UTI e não foi atendido.
A Secretaria de Saúde de Campina Grande emitiu justificativa sobre o caso. Veja a íntegra da nota.
A Secretaria de Saúde de Campina Grande lamenta profundamente a morte da paciente Maria Eduarda dos Santos Lourenço, de 8 meses e 7 dias, que era portadora de uma doença grave denominada Síndrome de Edwards.
De acordo com o prontuário médico, Maria Eduarda foi admitida no Hospital da Criança e do Adolescente às 10h55 do dia 16/11/2018, com quadro de insuficiência respiratória grave, provocado provavelmente por uma síndrome gripal. A paciente foi a óbito na madrugada do dia 17/11/18 às 02:05, apesar de todo o esforço da equipe médica para salvar a vida da menina.
Síndrome de Edwards é uma patologia causada pela trissomia do cromossomo 18, má formação do cromossomo 18, e caracteriza-se por um quadro clínico com acometimento de múltiplos órgãos e sistemas. Há mais de 130 anomalias diferentes, que podem envolver praticamente todos os órgãos e sistemas. O prognóstico da doença na maioria dos casos resulta em óbito durante a vida embrionária e fetal, ainda na barriga da mãe. Dos nascidos vivos, a média de vida é entre 2,5 e 14,5 dias. Dos recém-nascidos afetados, 55 a 65% vão a óbito na primeira semana de vida, 90% em torno de seis meses e apenas 5 a 10% estarão vivos ao final do primeiro ano.
De acordo com a Direção do HCA todos os procedimentos foram realizados para tentar garantir que Maria Eduarda resistisse. "O médico que estava acompanhando a garota inclusive tentou alternativas para dar mais conforto e melhorar a oxigenação para a criança, mas não foi possível em função das próprias complicações da síndrome", explicou a Diretora Técnica do HCA, Tais Andrade.
A direção do hospital já analisou o prontuário, escutou o médico responsável pelo atendimento e convocou os pais da criança para que sejam esclarecidos os procedimentos realizados e a dificuldade em assegurar a vida da menina a complexidade do quadro da criança. No mais, a Secretaria se solidariza com os familiares.

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