Sancel
26.7.18

Imóveis abandonados em João Pessoa preocupam população; 65 ainda estão em risco de desabamento

Tem sido corriqueiro, nas cidades de médio e grandes portes, encontrar imóveis entregues à própria sorte. Inúmeras são as casas e prédios que têm passado pelo processo de esquecimento, entregues aos destroços, e ao consequente perecimento. Muitos motivos podem ser apontados, já que não existe esse tipo de ocorrência em uma área exclusiva.
Em João Pessoa, o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico do Estado da Paraíba (Iphaep) e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) apontam 65 imóveis ainda com riscos de desabamento. O número, que era de 84, caiu pelo regresso dos proprietários, que resolveram revitalizar as suas propriedades. A maioria dos prédios se encontra no centro da cidade, na Rua da Areia e na Avenida Duque de Caxias.
Falta de conservação e conflitos familiares, de acordo com a Defesa Civil, são as maiores recorrências de abandono dessas posses. A falta de atenção e manutenção, por parte dos proprietários, é comum e recorrente. Um desses casos acontece em uma das esquinas da Avenida Vasco da Gama, no bairro de Jaguaribe. O branco acinzentado, cheio de rachaduras, traduz o envelhecimento da pintura do prédio que já foi uma escola. Pneus com concentração de água parada, estilhaços de vidro pela calçada, além da estrutura em si, ameaçam os vizinhos com uma variedade de malefícios, que podem resultar em problemas de ordem ecológica, sanitária e de segurança.
Vanderlei Navarro, de 50 anos, é ex-aluno do Instituto La Salle, e mora, desde criança, em frente ao que restou do local de parte da sua formação. Triste em ver em que se tornou o espaço, contou que a área é extensa e que a única movimentação suspeita que viu no local foi uma tentativa de arrombamento, há quase dois anos. O receio, no momento, é outro. "O que mais nos preocupaé que aconteça um acidente. A estrutura está toda desgastada", disse Vanderlei, que também informou sobre a presença de caramujos africanos no quintal de um outro prédio, também da propriedade.
Os moradores informaram que o local pertence a Eurico Rangel, procurador de Justiça do Ministério Público da Paraíba (MPPB) e candidato a deputado federal por duas ocasiões, que já faleceu há três anos. Desde então, a responsabilidade ficou por conta da sua esposa, Ivete Alves da Cruz, que administra o espólio do antigo proprietário. Os moradores informaram que nunca houve fiscalização no lugar. O imóvel é registrado no Cartório de Imóveis Carlos Ulysses.
Sem querer se identificar, um morador contou que a propriedade não é tombada como patrimônio histórico. Há sete anos nas redondezas, ele garantiu ter entrado em contato com a Defesa Civil inúmeras vezes, preocupado com a precariedade do prédio. Também entrou com solicitação através de um Termo de Autorização de Demolição, junto à Prefeitura Municipal de João Pessoa (PMJP). Nenhum dos dois pedidos foi atendido. "Não há interesse. Vai haver interesse quando desabar", contou inconformado.
O diretor de minimização de desastres da Defesa Civil, Alberto Sabino, estranhou o relato dos moradores. Conforme a Defesa Civil, todas as ocorrências são constatadas com prontidão e, portanto, tomadas as providências. “Quando existem riscos, à medida que somos acionados, temos sempre atendidos as solicitações. Vou fazer um levantamento das ocorrências dos últimos anos”, disse. E garantiu que uma equipe do órgão vai vistoriar o local, e pedir respostas dos responsáveis pela área. “Nós podemos enviar uma equipe para verificar a condição de risco. É uma questão de prioridade, se a estrutura realmente fornece riscos. Podemos conhecer o problema, procurar o proprietário e pedir providências preventivas, através de relatórios técnicos, antes que aconteça qualquer dano”, afirmou.
 PB Agora
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