Sancel
3.6.18

UM SANTO REMÉDIO

Mais do que efeito placebo, o exercício da fé pode representar saúde e bem-estar. E quem diz isso são os cientistas.

Quase todos conhecemos, ou pelo menos já ouvimos falar sobre os oito remédios naturais e gratuitos dados por Deus para a manutenção da nossa saúde e bem-estar. A maioria das pessoas já conhece, por exemplo, a importância de uma alimentação saudável, o uso adequado da água, do ar puro, da luz solar, do exercício físico, repouso e da temperança. Esses sete primeiros remédios naturais são universalmente aceitos como benéficos para o corpo e a mente, havendo inúmeras comprovações científicas quanto a isso. Ninguém discute se o exercício físico ou se o repouso adequados fazem bem à saúde. Todos sabemos que eles fazem bem, e ponto. Não há controvérsias a esse respeito. No entanto, existe um grande remédio natural que também é fundamental para a nossa saúde, mas que pode ser visto com certo ar de desconfiança, tanto nos meios científicos, quanto até mesmo no meio religioso. O oitavo remédio é a confiança em Deus.
Afinal de contas, confiar em Deus faz mesmo bem para a saúde ou isso é “forçação de barra” de algumas pessoas que não entendem nada de ciência?
Mesmo dentro da nossa cultura ocidental, influenciada pelo cristianismo, cada pessoa pode ter uma compreensão diferente de Deus, ou até mesmo não ter, como os agnósticos ou os ateus. No entanto, a ciência tem mostrado que a confiança em Deus, apesar das mais diferentes crenças existentes, tem um papel importante na saúde.
Mas como e por que esses benefícios acontecem em quem tem confiança em Deus e busca fortalecer essa confiança por meio de práticas religiosas?
Desde a década de 1970, vários estudos começaram a ser realizados para identificar o papel da confiança em Deus na cura das enfermidades.
Mais recentemente, pesquisadores do Hospital McLean, em Massaschusetts, nos Estados Unidos, inscreveram 159 homens e mulheres em um programa de terapia cognitivo-comportamental. Cerca de 60% dos participantes estavam em tratamento de depressão, enquanto outros tinham transtorno bipolar e ansiedade. Todos tiveram que classificar sua espiritualidade respondendo à seguinte questão: “Até que ponto você acredita em Deus?” Os resultados, publicados no Journal of Affective Disorders, revelaram que cerca de 80% dos participantes relataram alguma crença em Deus.
Os pesquisadores também concluíram que a força da fé não estava relacionada à gravidade dos sintomas iniciais, mas os indivíduos que classificaram sua crença espiritual como mais importante pareciam ser menos deprimidos após o tratamento, em comparação com aqueles com pouca ou nenhuma crença. Eles também pareciam ser menos propensos a se envolver em comportamentos de automutilação.
“Pacientes com mais crença em Deus apresentaram resultados melhores no tratamento”, disse o líder do estudo, David Rosmarin, psicólogo do Hospital McLean e diretor do Centro de Ansiedade em Nova York.
Uma possível razão para esse fenômeno, segundo ele, é que “pacientes com mais fé em Deus também têm mais fé no tratamento. Eles têm mais probabilidade de achar que o tratamento pode ajudar, e têm maior tendência a ver essa possibilidade como real”.

Essa conclusão é bastante interessante, contudo, você pode estar pensando que essas melhores respostas terapêuticas se devem a algum tipo de efeito placebo. Pensando justamente nisso, um dos primeiros pesquisadores sobre o assunto, o Dr. Levin J., em 1987 realizou uma revisão de 200 estudos epidemiológicos que referiam a confiança em Deus e aspectos da saúde, e em 2003 resumiu os principais achados desse estudo (veja o quadro 1 abaixo).
Por Glaucio Cardoso Pinheiro / Saúde e Vida
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