Cinquenta e dois anos após início do embargo norte-americano a Cuba, líderes dos dois países retomam diálogos
"Pedimos aos EUA para remover os obstáculos que há
décadas acabam com os vínculos entre nossos povos", disse o presidente
cubano Raúl Castro, citando conversa que teve com Obama na noite
anterior, marcando o início das retomada de relações diplomáticas entre
os dois países. "Os progressos alcançados por intercâmbio entre nossos
cidadãos e os norte-americanos demonstram ser possível encontrar
soluções a muitos dos problemas da atualidade."
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| Youtube/Reprodução O líder de Cuba, Raúl Castro |
Conhecido pelos cubanos como "el bloqueo" (o bloqueio), o embargo norte-americano a Cuba foi uma medida adotada pelos EUA no auge da Guerra Fria que interditou totalmente a relação econômica, financeira e comercial entre os dois países, separados por uma fronteira marítima de apenas 535 km. A medida foi imposta no início dos anos 1960, depois do revolucionário e então recém-empossado líder cubano, Fidel Castro, iniciar uma aproximação com a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), representada pela Rússia.
Após uma restrição inicial para a importação de açúcar cubano ao território norte-americano, instituída pelo então presidente dos EUA Dwight Eisenhower em 1960, John F. Kennedy ampliou as restrições para o grau máximo dois anos depois, suspendendo relações de nações anteriormente tão próximas – antes da Revolução Cubana que removeu a ditadura de Fulgencio Batista do poder, Cuba era conhecido como um "quintal dos EUA", onde empresários exploravam seus recursos e as elites passavam temporadas gastando dólares em seus cassinos e hotéis de luxo.
Devido
ao aumento da tensão por influência entre soviéticos e
norte-americanos, em 1962 Cuba foi protagonista daquela que ficou
conhecida como a Crise dos Mísseis. Em resposta à instalação de mísseis
nucleares na Europa e à tentativa dos EUA de derrubarem Castro em Cuba,
no ano anterior, os russos colocaram mísseis em território cubano
apontados diretamente para os EUA em outubro.
A tensão
acabou levando os EUA a impor restrições para viagens de seus cidadãos
ao país caribenho, bem como à restrição comercial total entre as
nações-membro da Organização dos Estados Americanos (OEA) com os
cubanos. Também colaborou para a assinatura do Tratado de
Não-Proliferação de Armas Nucleares, cujo objetivo foi conter a corrida
armamentista mundial, em 1968.
O embargo total, no entanto, prosseguiu, com presidentes norte-americanos assinando continuamente sua prevalência ao longo dos anos. Entre eles, o próprio Barack Obama, eleito chefe do Poder Executivo do país em 2008 com a promessa de terminar com o longo bloqueio à nação caribenha, conhecida pelos mais diversos problemas sociais. Os discursos desta quarta-feira são um alento em direção a uma nova política.
"Ao reconhecer que temos muitas diferenças, devemos dialogar sobre temas como direitos humanos, política interior, democracia e soberania. Devemos aprender a forma de conviver de forma civilizada com nossas diferenças", resumiu Castro. "Voltaremos a falar sobre esses temas mais à frente."
Fonte:Ultimo Segundo





