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16.9.26

Vacinação na gravidez protege mãe e bebê contra doenças

 Vacinas aplicadas durante a gravidez ajudam a proteger a mãe e o bebê. Entenda como os anticorpos atravessam a placenta.

Quando uma nova vida começa a se desenvolver, o bebê depende inteiramente do organismo materno para receber oxigênio, nutrientes, proteção térmica e outros elementos necessários ao crescimento. Essa relação também permite que parte da defesa imunológica da mãe seja transmitida à criança ainda durante a gestação.

Os anticorpos produzidos pelo organismo materno ao longo da vida podem atravessar a placenta e chegar ao bebê. Eles representam uma espécie de herança imunológica, formada a partir de infecções anteriores e também de vacinas recebidas pela mãe.

A vacinação durante a gravidez amplia esse mecanismo de proteção ao estimular o organismo materno a produzir defesas específicas contra doenças que podem representar riscos para a mulher e para o bebê.

Coqueluche voltou a preocupar no Brasil

Em 2024, o Brasil registrou o maior coeficiente de incidência de coqueluche desde 1990, depois de anos em que a taxa havia caído para níveis próximos de zero.

Naquele ano, 29 bebês com menos de 1 ano morreram em decorrência da doença. Segundo Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), 24 dessas crianças eram filhas de mães que não haviam sido vacinadas.

O cenário, porém, não tem uma única explicação. A coqueluche possui comportamento cíclico, e a pandemia contribuiu para a redução da cobertura vacinal, aumentando a quantidade de pessoas suscetíveis. A ampliação dos testes de PCR também passou a identificar casos que anteriormente poderiam não ser detectados.

Vacina contra VSR passou a fazer parte do SUS

Outra preocupação envolve o vírus sincicial respiratório (VSR), responsável pela maioria dos casos de bronquiolite grave. Em 2024, 537 crianças com menos de 1 ano morreram no Brasil em decorrência da doença.

Em dezembro de 2025, o Sistema Único de Saúde incorporou a vacina contra o VSR. Antes disso, o imunizante estava disponível somente na rede privada e podia custar até R$ 1.760.

No Brasil, a vacina passou a ser oferecida às gestantes a partir da 28ª semana de gravidez. Segundo Kfouri, a adesão chegou perto de 85%, enquanto a vacina contra a covid-19 permanece com cobertura mais baixa entre as gestantes.

Como os anticorpos da mãe chegam ao bebê

Durante a gravidez, a mãe continua produzindo anticorpos. Entre eles está a imunoglobulina-G (IgG), capaz de atravessar a placenta e chegar à circulação do bebê.

A imunoglobulina-M (IgM), por outro lado, é maior e não consegue atravessar a placenta. Já a IgG pode passar por meio de um mecanismo ativo e seletivo.

Esse processo envolve o receptor FcRn, localizado nas células que revestem internamente a placenta. Ele reconhece especificamente a IgG e permite que o anticorpo seja transportado para a circulação fetal.

Existe ainda a imunoglobulina-A (IgA), que não atravessa a placenta. Depois do nascimento, ela pode chegar ao bebê por meio do leite materno e atuar nas portas de entrada do organismo, como boca, intestino e vias respiratórias.

Momento da vacinação faz diferença

A transferência de anticorpos aumenta gradualmente durante a gestação e acelera principalmente na segunda metade da gravidez. Pouco antes do parto, o bebê pode carregar mais anticorpos do que a própria mãe.

Por isso, cada vacina recomendada durante a gravidez possui uma janela específica. A intenção é permitir que o organismo materno produza anticorpos em quantidade suficiente e tenha tempo para transferi-los ao bebê.

No Brasil, a vacina dTpa, que protege contra difteria, tétano e coqueluche, é recomendada a partir da 20ª semana de gestação.

Já a vacina contra o VSR é indicada a partir da 28ª semana. Segundo o material, estudos inicialmente avaliaram diferentes momentos de aplicação devido à preocupação com possível relação com prematuridade. O uso em vida real trouxe dados de segurança que contribuíram para a definição da janela atualmente adotada.

Vacinação protege também a gestante

A proteção não se limita ao bebê. Durante a gravidez, mudanças cardiovasculares, respiratórias e imunológicas podem fazer com que determinadas infecções sejam mais graves.

Influenza e covid-19 são citadas como exemplos de doenças que podem elevar o risco de hospitalização e complicações maternas durante a gestação. Dessa forma, a vacinação pode ter dois objetivos simultâneos: proteger a mulher e reduzir riscos indiretos para a gravidez e o bebê.

Desinformação ainda dificulta a vacinação

Apesar da disponibilidade dos imunizantes, a desinformação aparece como um dos principais obstáculos à adesão às vacinas durante a gravidez.

Entre janeiro de 2024 e março de 2025, a Agência Lupa identificou pelo menos 33 conteúdos enganosos sobre vacinas circulando no Brasil. O material também aponta que a vacina contra a covid-19 apresenta a menor adesão entre as gestantes no calendário nacional.

Outro receio envolve a possibilidade de as vacinas provocarem as doenças que deveriam prevenir. O material esclarece que as quatro vacinas recomendadas na gestação — dTpa, gripe, VSR e covid-19 — não utilizam microrganismos vivos capazes de causar essas doenças.

Ciência ainda busca respostas

Embora o mecanismo de transferência de anticorpos seja conhecido, ainda existem questões em estudo. Entre elas estão as diferenças na eficiência dessa transferência entre gestantes, o momento ideal para cada vacina e a duração da proteção recebida pelo bebê.

Também existem pesquisas sobre o chamado blunting, fenômeno em que níveis elevados de anticorpos maternos podem reduzir parcialmente a resposta do bebê a algumas vacinas aplicadas posteriormente.

Outro desafio apontado é a histórica exclusão de gestantes de ensaios clínicos de determinadas vacinas, situação que deixou lacunas de dados para essa população.

A vacinação durante a gravidez, portanto, envolve uma proteção que pode beneficiar simultaneamente mãe e bebê. Os anticorpos produzidos pelo organismo materno atravessam a placenta e ajudam a proteger a criança nos primeiros meses de vida, enquanto a própria gestante também recebe proteção contra doenças que podem ser mais graves durante a gravidez.

Importante: esta matéria tem caráter informativo e não substitui avaliação ou orientação de médico ou outro profissional de saúde. Gestantes devem buscar orientação profissional sobre vacinação e cuidados durante a gravidez.

Por: Informativo em Foco

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