Laudo da Polícia Científica aponta 14 ferimentos de faca e sinais de esganadura na morte da médica Gassi Mazia, em Maringá.
A médica Gassi Paola de Souza Mazia, de 37 anos, foi assassinada dentro do apartamento onde morava, em Maringá, no Paraná, no dia 5 de setembro. Um laudo da Polícia Científica identificou 14 ferimentos provocados por faca e sinais de esganadura. A perícia concluiu que a morte ocorreu em decorrência de uma hemorragia aguda provocada pelas múltiplas lesões perfurocortantes.
O ex-companheiro da médica, o advogado João Vitor Domingues Romeiro, de 25 anos, foi preso após o crime. A prisão em flagrante foi posteriormente convertida em preventiva. A Polícia Civil o aponta como principal suspeito do feminicídio, enquanto o Ministério Público do Paraná sustenta que o crime teria ocorrido porque ele não aceitava o fim do relacionamento.
O filho do casal, um bebê de oito meses, estava no apartamento durante a noite do crime. A criança foi encontrada sem ferimentos e posteriormente ficou sob os cuidados de familiares de Gassi.
Perícia identificou ataque pelas costas
O laudo pericial trouxe informações sobre as possíveis circunstâncias do ataque. Conforme a delegada Paloma Batista, responsável pelo caso na Delegacia da Mulher de Maringá, parte dos ferimentos estava concentrada nas regiões cervical, dorsal e escapular.
Segundo a delegada, os elementos encontrados pelos peritos indicam que a médica também teria sido atacada pelas costas.
O exame identificou ainda escoriações no pescoço compatíveis com constrição cervical manual. A perícia apontou, dessa forma, sinais de que Gassi sofreu esganadura durante a agressão.
Três facas foram encontradas próximas ao corpo, conforme registrado no boletim de ocorrência. Apesar disso, a causa da morte estabelecida pelo exame pericial foi a hemorragia aguda provocada pelas múltiplas lesões causadas por faca.
Ministério Público aponta inconformismo com término
O caso é investigado como feminicídio. Em manifestação encaminhada à Justiça para solicitar a prisão preventiva de João Vitor, o Ministério Público do Paraná afirmou que o investigado não teria aceitado o encerramento do relacionamento.
Segundo o órgão, ele teria entrado no apartamento da ex-companheira e cometido o crime. O MP também ressaltou que o filho de oito meses estava no imóvel durante os acontecimentos.
A Polícia Civil já havia informado, após o assassinato, que o relacionamento entre os dois era conturbado e que havia ocorrido uma tentativa de reconciliação.
Depois do crime, segundo informações repassadas pelo delegado Adriano Garcia, João Vitor teria colocado o filho para dormir antes de deixar o apartamento. Em seguida, ele foi para Mandaguari, município localizado a cerca de 30 quilômetros de Maringá.
Uma familiar acionou a polícia depois de relatar que o advogado teria admitido ter matado Gassi. Ele foi encontrado com ferimentos provocados por arma branca e precisou ser levado para atendimento hospitalar sob escolta.
Suspeito permanece em silêncio durante interrogatório
Depois de receber alta médica, João Vitor foi conduzido na terça-feira (15) à Delegacia da Mulher de Maringá para prestar depoimento.
O interrogatório durou menos de cinco minutos. O advogado decidiu permanecer em silêncio e não respondeu aos questionamentos da delegada.
Os investigadores chegaram a oferecer a possibilidade de que ele respondesse às perguntas por escrito, devido aos ferimentos que afetavam sua fala. Mesmo assim, João Vitor optou por exercer o direito de permanecer calado.
O suspeito permanece preso preventivamente e foi encaminhado para a Cadeia Pública de Maringá.
João Vitor trabalhava como assessor da Procuradoria Jurídica da Prefeitura de Marialva. Depois da prisão, o município informou que ele foi exonerado do cargo comissionado e publicou uma manifestação de repúdio ao crime.
Bebê estava no imóvel durante o assassinato
Informações divulgadas inicialmente sobre o caso apontavam que o bebê havia sido encontrado ao lado do corpo da mãe. Posteriormente, porém, a Polícia Civil do Paraná informou ao Correio Braziliense que não procedia a informação de que a criança estivesse exatamente ao lado do corpo.
O que foi confirmado pelas autoridades é que o menino, de oito meses, estava dentro do apartamento quando o crime ocorreu. Ele foi resgatado sem ferimentos e passou aos cuidados da família de Gassi.
Moradores acionaram as autoridades após ouvirem o choro prolongado do bebê e não conseguirem estabelecer contato com pessoas dentro do imóvel.
Equipes de emergência e policiais entraram no apartamento e encontraram a médica já sem vida.
Médica atuava na atenção básica
Gassi Paola de Souza Mazia tinha 37 anos e exercia a medicina havia aproximadamente uma década. Ela se formou pela Universidade do Sul de Santa Catarina (Unisul), em Tubarão, e trabalhava na área de atenção básica de saúde na região de Maringá.
No período em que foi assassinada, a médica atuava na Unidade Básica de Saúde Nova Aliança, em Sarandi, município vizinho.
A Prefeitura de Sarandi lamentou a morte e destacou a dedicação da profissional ao atendimento da população. O assassinato também provocou manifestações entre pacientes, profissionais da saúde e moradores da região.
A administração municipal publicou ainda uma manifestação de repúdio à violência contra as mulheres.
Investigação continua
A Polícia Civil continua investigando o caso e reúne elementos como o laudo da perícia, depoimentos de testemunhas e outras informações para esclarecer a dinâmica do assassinato.
João Vitor permanece preso preventivamente enquanto o processo segue na Justiça. As conclusões apresentadas no laudo apontam a causa da morte, enquanto a investigação continua responsável por reunir os demais elementos relacionados ao crime.
Onde buscar ajuda em casos de violência
O Ligue 180 oferece atendimento gratuito 24 horas por dia para mulheres em situação de violência, com orientações e recebimento de denúncias.
Em situações de emergência ou diante de risco imediato à integridade física, a orientação é acionar a Polícia Militar pelo telefone 190.
Por: Informativo em Foco



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