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3.8.26

El Niño tem 81% de chance de ficar muito forte e aumenta risco de eventos extremos no Brasil

 Boletim de órgãos federais aponta 81% de chance de El Niño muito forte entre outubro e dezembro, com risco de enchentes, secas, calor extremo e queimadas.

O El Niño tem 81% de probabilidade de atingir intensidade muito forte entre outubro e dezembro de 2026, aumentando o risco de inundações, secas, ondas de calor e incêndios florestais em diferentes regiões do Brasil. O alerta faz parte de um boletim elaborado por sete órgãos federais que monitoram as condições climáticas e hidrológicas do país.

Segundo o documento, o fenômeno deve ganhar força ao longo do segundo semestre e permanecer ativo pelo menos até o início de 2027. As projeções indicam que a temperatura da superfície do Oceano Pacífico Equatorial poderá registrar anomalias superiores a 2°C entre a primavera e o início do verão.

Chuvas e temperaturas acima da média

A previsão para o trimestre entre agosto e outubro indica chuvas acima da média na Região Sul e abaixo da média em grande parte do Centro-Norte do país.

Ao mesmo tempo, as temperaturas devem permanecer acima do normal em praticamente todo o território nacional, favorecendo episódios de calor extremo, baixa umidade do ar e aumento do risco de queimadas.

O boletim foi elaborado pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden), Serviço Geológico do Brasil (SGB), Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil e Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).

Sul pode enfrentar novas inundações

Os especialistas alertam que a Região Sul apresenta maior risco de enchentes durante os próximos meses.

Diferentemente do cenário registrado no início do El Niño de 2023, os estados da região praticamente não possuem déficit hídrico a ser recomposto, aumentando a possibilidade de cheias caso ocorram novos episódios de chuva intensa.

Santa Catarina e Rio Grande do Sul poderão registrar vazões entre a média e acima da média já em agosto.

Seca avança em várias regiões

O boletim mostra que o número de municípios em situação de seca severa aumentou de 38 para 55 no trimestre entre maio e julho.

Embora o cenário ainda seja menos grave do que o observado no início do El Niño de 2023, algumas regiões já apresentam preocupação.

No Nordeste, cerca de 40% do território registrava seca moderada em junho, percentual superior aos 10% observados no mesmo período de 2023. A situação pode afetar o abastecimento de água, a agricultura e a pecuária.

Na Região Norte, a estiagem ainda está em desenvolvimento, mas a redução das chuvas poderá provocar queda no nível dos rios nas próximas semanas.

Já a bacia do rio Paraguai, no Centro-Oeste, continua apresentando a situação hidrológica mais crítica do país, com áreas em condição de seca severa e extrema após anos consecutivos de déficit hídrico.

No Sudeste, 76% da região apresentava algum nível de seca em junho, índice superior ao registrado no mesmo período de 2023.

Queimadas devem aumentar

O risco de incêndios florestais tende a crescer principalmente entre agosto e outubro.

As áreas com maior probabilidade de queimadas concentram-se em Mato Grosso e em grande parte da Amazônia.

Também estão entre os estados com maior risco Tocantins, Pará e Maranhão, além de áreas do Amazonas, Acre e Rondônia.

Agricultura terá impactos distintos

O tempo seco poderá favorecer a colheita do milho de segunda safra, do algodão e do sorgo em parte do Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

Por outro lado, a falta de chuva e as altas temperaturas podem elevar a necessidade de irrigação, prejudicar as pastagens e dificultar o preparo da próxima safra.

Na Região Sul, a maior disponibilidade de água tende a beneficiar as culturas de inverno e o plantio de milho e soja. Entretanto, chuvas persistentes poderão aumentar o risco de doenças causadas por fungos, atrasar colheitas e exigir replantio em áreas afetadas.

Defesa Civil orienta preparação

Diante do cenário previsto, estados e municípios foram orientados a revisar os planos de contingência, reforçar o monitoramento e ampliar a comunicação de riscos, especialmente em áreas mais vulneráveis.

A população também deve acompanhar os alertas oficiais, conhecer as rotas de fuga da região onde vive e manter atualizado o cadastro para recebimento de avisos da Defesa Civil sobre eventos climáticos extremos.

Por: Informativo em Foco

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