O Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) faz parte de um cenário que ainda apresenta lacunas de informações oficiais no Brasil. Segundo dados do Ministério da Saúde citados no material, a prevalência estimada entre crianças e adolescentes de 6 a 17 anos é de 7,6%, enquanto cerca de 11 milhões de brasileiros convivem com o transtorno.
Em outubro de 2025, a Comissão de Direitos Humanos do Senado aprovou um projeto de lei que prevê a inclusão de perguntas sobre TDAH e dislexia no Censo Demográfico. Atualmente, segundo o Senado, o país não possui estatísticas oficiais consolidadas sobre esses transtornos, e parte das estimativas disponíveis é resultado de levantamentos pontuais do setor privado.
Nesse contexto, uma das dúvidas mais comuns entre famílias e professores é saber quando uma dificuldade escolar pode ser considerada apenas pontual e quando pode indicar a necessidade de acompanhamento especializado.
Segundo a professora Elizabeth Sanada, coordenadora da pós-graduação em Psicopedagogia do Singularidades, nem toda dificuldade escolar representa um transtorno. Entretanto, sinais persistentes precisam ser observados com atenção, sem alarmismo e também sem serem ignorados.
Dificuldade de aprendizagem é diferente de transtorno
A especialista explica que é importante diferenciar situações que muitas vezes são confundidas no ambiente familiar e escolar.
A dificuldade de aprendizagem pode estar relacionada a fatores como metodologia de ensino, ritmo de desenvolvimento e contexto emocional ou familiar. Em geral, esse tipo de obstáculo pode apresentar melhora a partir de mudanças na abordagem pedagógica.
Já os transtornos de aprendizagem têm origem neurobiológica e incluem condições como dislexia, discalculia e TDAH. São situações persistentes que não desaparecem simplesmente com esforço ou reforço escolar e podem exigir avaliação e acompanhamento especializados.
Sinais de alerta em casa
Alguns comportamentos observados no ambiente familiar podem indicar que a criança precisa de uma atenção maior. Entre os sinais estão a resistência ou recusa frequente em realizar atividades de leitura e escrita e a dificuldade persistente para memorizar letras, números ou sequências, como dias da semana e meses do ano.
Também merecem observação as trocas frequentes de letras e dificuldades com rimas mesmo depois de estímulos repetidos.
No caso do TDAH, desatenção, esquecimento de tarefas e desorganização também podem ser sinais importantes, principalmente quando esses comportamentos se repetem em diferentes ambientes e não apenas na escola.
Sinais que podem aparecer na escola
No ambiente escolar, a leitura lenta, silabada e acompanhada de muitos erros, mesmo depois de períodos de prática, pode ser um sinal de alerta.
Outra situação é a dificuldade constante para acompanhar o ritmo da turma. Quando esse quadro permanece ao longo do tempo e vem acompanhado de ansiedade, frustração ou baixa autoestima, a situação também merece atenção.
Comportamentos de inquietação, impulsividade ou desatenção observados por diferentes professores são outro ponto a ser considerado. A presença de determinado comportamento observado isoladamente por apenas um adulto não deve, por si só, ser utilizada para estabelecer um diagnóstico.
Quando procurar ajuda profissional?
Para a professora Elizabeth Sanada, um dos principais critérios é observar se os sinais são persistentes e recorrentes em diferentes ambientes.
Quando determinada dificuldade aparece tanto em casa quanto na escola durante semanas e não apresenta melhora após ajustes simples, pode ser indicado buscar uma avaliação profissional.
A avaliação pode envolver profissionais como pediatra, psicopedagogo ou neuropsicólogo, de acordo com as necessidades apresentadas pela criança.
O diagnóstico precoce pode contribuir para que o estudante receba suporte adequado e tenha menor impacto sobre a autoestima e o percurso escolar.
Família e escola precisam trabalhar juntas
Desde 2021, a Lei nº 14.254 estabelece que estudantes com dislexia, TDAH e outros transtornos de aprendizagem têm direito a acompanhamento integral pelo poder público.
Apesar disso, especialistas ouvidos pelo Senado apontam desafios relacionados à identificação precoce dos casos e à ausência de dados oficiais consolidados sobre esses transtornos no país.
A professora Elizabeth Sanada destaca ainda a importância da parceria entre família e escola. A observação conjunta permite identificar as necessidades de cada estudante e elaborar estratégias educacionais que favoreçam a aprendizagem.
Esse acompanhamento pode ser importante mesmo quando ainda não existe um diagnóstico estabelecido, já que dificuldades persistentes podem demandar adaptações e atenção individualizada durante o processo escolar.
Por: Informativo em Foco



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