Tecnologia do Blogger.
1.10.26

Mudanças hormonais antes da menopausa podem elevar fatores de risco cardiovascular. Veja sintomas, cuidados e exames indicados para mulheres.

 As mudanças que podem aumentar o risco de doenças cardiovasculares entre mulheres começam antes mesmo da menopausa. Durante a perimenopausa, período de transição que antecede a última menstruação, alterações hormonais podem estar acompanhadas de sinais como aumento da gordura abdominal, mudanças no colesterol e pequenas elevações da pressão arterial.

O assunto ganhou destaque no Dia Mundial do Coração, celebrado em 29 de setembro, diante de estudos recentes sobre a relação entre as mudanças que ocorrem no organismo feminino e a saúde cardiovascular.

Um posicionamento da Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), publicado em 2025, aponta que doenças cardiometabólicas em mulheres são subdiagnosticadas e subtratadas. Segundo dados do Ministério da Saúde, as doenças cardiovasculares são a principal causa de morte entre mulheres no Brasil, à frente dos cânceres.

Mudanças começam antes da menopausa

A menopausa é confirmada após 12 meses sem menstruação e costuma ocorrer por volta dos 50 anos. No entanto, as alterações que podem contribuir para o aumento do risco cardiovascular começam antes dessa fase.

Segundo Carlos Japhet, presidente do Departamento da Mulher da SBC, o estrogênio participa da regulação dos vasos sanguíneos, da distribuição da gordura corporal e do metabolismo do colesterol.

Durante a perimenopausa, a produção do hormônio passa por oscilações que podem alterar o perfil do colesterol, favorecer o ganho de peso e aumentar o acúmulo de gordura na região abdominal.

De acordo com a ginecologista Lucia Helena Paiva, presidente da Comissão Nacional Especializada em Climatério da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo), alterações no colesterol podem contribuir para a formação de placas nas paredes dos vasos, com consequências que podem aparecer anos mais tarde.

Os primeiros sinais, entretanto, podem ser discretos. Entre eles estão o ganho de aproximadamente 500 a 600 gramas por ano, aumento da gordura abdominal e pequenas elevações da pressão arterial. Esses sinais não significam, por si só, a existência de uma doença cardiovascular, mas podem indicar a necessidade de atenção aos fatores de risco.

Sintomas podem ser confundidos com a menopausa

Os sintomas de problemas cardíacos podem aparecer de diferentes formas nas mulheres. Embora dor ou desconforto no peito sejam manifestações comuns, também podem ocorrer falta de ar, náusea, cansaço incomum e desconforto nas costas ou na mandíbula.

Na perimenopausa, a interpretação dos sintomas pode ser mais difícil. Palpitações, ondas de calor e alterações do sono são comuns durante a transição hormonal e podem acabar sendo associados automaticamente à menopausa.

Por isso, segundo Japhet, sintomas novos, intensos ou persistentes precisam ser avaliados e não devem ser atribuídos apenas às alterações hormonais.

No caso do infarto, sinais como dor no estômago, náusea, cansaço extremo e suor frio também podem aparecer. Essas manifestações podem ser confundidas com problemas gástricos ou crises de ansiedade.

Um estudo da PUC do Paraná, publicado em 2025, identificou maior risco de morte após infarto entre mulheres de 45 a 55 anos em comparação com homens da mesma faixa etária.

Como identificar a perimenopausa

As primeiras alterações do ciclo menstrual que podem indicar a chegada da perimenopausa costumam começar entre os 40 e 45 anos, segundo Paiva. Inicialmente, o ciclo pode ficar mais curto ou mais longo. Com o avanço da transição, alguns meses podem ser pulados e o intervalo entre as menstruações pode chegar a 60 dias ou mais.

Além das mudanças menstruais, podem surgir irritabilidade, oscilações de humor, ondas de calor, suor noturno, sono interrompido, dificuldade para lembrar palavras e redução da libido.

A percepção dessas alterações nem sempre é imediata. De acordo com a ginecologista, uma queixa frequente entre mulheres nessa fase é a sensação de não se reconhecer.

Cuidados ajudam a reduzir fatores de risco

A perimenopausa também pode ser um momento para acompanhar indicadores relacionados à saúde cardiovascular. Entre eles estão pressão arterial, colesterol, glicemia e circunferência abdominal.

Atividade física regular, alimentação equilibrada, sono adequado e não fumar estão entre as medidas que podem contribuir para a prevenção de doenças cardiovasculares.

Mulheres que tiveram pré-eclâmpsia, diabetes gestacional ou menopausa precoce também devem informar esses antecedentes ao médico, pois essas informações ajudam na avaliação individual do risco cardiovascular.

A alimentação pode ser ajustada com redução de produtos ultraprocessados e preferência por gorduras consideradas saudáveis, frutas e alimentos ricos em cálcio.

Atividades como musculação, caminhada rápida e corrida leve também podem ser importantes nessa fase. Como o metabolismo tende a desacelerar com o avanço da idade, a quantidade de calorias consumidas pode precisar ser ajustada para evitar o acúmulo de gordura abdominal.

Exames dependem da avaliação individual

Exames como eletrocardiograma, ecocardiograma, teste ergométrico e exames das artérias coronárias não são indicados automaticamente para todas as mulheres que estão na perimenopausa.

Segundo Japhet, a necessidade desses exames depende dos sintomas, da avaliação clínica e da estimativa individual de risco.

A consulta também deve levar em consideração informações como ciclo menstrual, hábitos de vida, histórico familiar, gestações anteriores, perfil de colesterol e glicemia.

A partir dos 40 anos, segundo Paiva, a rotina de acompanhamento inclui mamografia anual, avaliação do colesterol e suas frações, glicemia de jejum e exames relacionados à tireoide. A possibilidade de alterações da função tireoidiana também aumenta nessa fase.

A densitometria óssea, por sua vez, não é indicada automaticamente para todas as mulheres e pode ser solicitada quando a avaliação de fatores de risco apontar essa necessidade.

Terapia hormonal exige avaliação

A terapia hormonal não deve ser utilizada exclusivamente com o objetivo de prevenir infarto ou acidente vascular cerebral (AVC). Seu uso para tratar sintomas relacionados à menopausa deve ser avaliado individualmente.

Segundo Paiva, mulheres com sintomas clássicos não precisam necessariamente esperar completar 12 meses sem menstruar para iniciar o tratamento. Quando os exames estão adequados e não existem contraindicações, a terapia pode ser considerada ainda durante a perimenopausa.

A decisão, entretanto, depende da avaliação profissional e das características de cada paciente.

Sinais de alerta exigem atendimento imediato

Os sinais de alerta para problemas cardíacos podem ocorrer em qualquer fase da vida. Pressão, aperto ou desconforto no peito, principalmente quando persistente ou associado a esforço, falta de ar, suor frio, náusea, desmaio e dor que se espalha para o braço, costas, pescoço ou mandíbula podem indicar uma emergência cardiovascular.

Diante de sintomas súbitos ou intensos, a orientação é procurar atendimento médico de emergência imediatamente.

Por: Informativo em Foco

  • Comentar com o Gmail
  • Comentar com o Facebook

0 commentarios:

Postar um comentário

Item Reviewed: Mudanças hormonais antes da menopausa podem elevar fatores de risco cardiovascular. Veja sintomas, cuidados e exames indicados para mulheres. Rating: 5 Reviewed By: Informativo em Foco